Características de Tipo e Descarte: Perfil de uma Vaca Jersey de baixo risco

Características de Tipo e Descarte: Perfil de uma Vaca Jersey de baixo risco

28 de fevereiro, 2019

Adaptado do estudo realizado por Kent A. Weigel, Ph.D. (Especialista em Genética da Universidade do Wisconsin e Administrador do Programa Genético da NAAB - National Association of Animal Breeders).

 

O QUE FAZ UMA VACA JERSEY DURAR?

Esta é uma pergunta muito pertinente hoje, dado o preço de bons animais de reposição.

Práticas de gestão - incluindo conforto animal, cuidados veterinários e nutrição - desempenham um papel fundamental, mas o foco deste artigo são as características lineares de tipo.

Como as características de tipo são altamente hereditárias e podem ser medidas no início da vida, muitas vezes podem servir como preditores úteis de sobrevivência das vacas. O objetivo do estudo foi determinar como cada característica linear aumenta ou diminui o risco de uma vaca ser eliminada do rebanho.

METODOLOGIA DO ESTUDO

Foram usados dados de tipo, produção e sobrevivência de 268 mil vacas Jersey nos EUA, com primeiro parto entre janeiro de 1981 a agosto de 2000. Estes dados foram ajustados para os efeitos de rebanho, ano e estação (quando a vaca e/ou suas contemporâneas foram abatidas), idade ao primeiro parto, consanguinidade e produção de leite.

Uma vez que a produção das vacas foi considerada, a variável de sobrevivência neste estudo foi a vida funcional do rebanho, que é uma medida de descarte involuntário.

Escores de primeira lactação para 13 características lineares de tipo foram avaliados de forma independente. As vacas foram agrupadas em 10 classes para cada característica, de acordo com o Sistema de Avaliação de Tipo utilizado para o Jersey nos EUA. Estas classes correspondiam às pontuações lineares de 1-5, 6-10, 11-15 e assim por diante até 46-50.

Os resultados foram expressos como "risco relativo de abate para vacas", com cada pontuação linear de tipo sendo comparada a uma vaca com uma pontuação ideal para a característica. Como muito poucas vacas receberam pontuação inferior a 5 ou superior a 45, os resultados são apresentados para os oito grupos (2 a 9) com escores lineares 6-45.

CONCLUSÕES

Analisou-se a vida funcional do rebanho, de modo que o abate voluntário de vacas de baixa produção não foi considerado.

Conforme demonstrado na Tabela 1, a estatura não foi um preditor útil de sobrevivência das vacas. Escores de 11-15, 16-20 e 41-45 foram ótimos, mas o risco de abate de vacas na classe mais pobre (pontuação 36 a 40) foi apenas 6% maior do que o de uma vaca 'ideal'.

Da mesma forma, escores nas faixas de 11-15 e 16-20 foram ideais para força, mas para esta característica, as vacas com escore de 41-45 estavam 30% mais propensas a ser abatidas do que as vacas com escores nos intervalos ideais.

Por forma leiteira, escores de 21-25 foram ótimos. Com as vacas de 41-45 tendo alto risco de abate (38%) e as vacas de 36-40 tendo um risco de 14%.

Para ângulo garupa, vacas com garupas altas (6-10) estavam apenas 4% mais propensas a ser abatidas do que as vacas com pontuações intermediárias de 16-20 e 21-25. Porém, vacas com garupas escorridas (notas 41 a 45) tiveram 16% mais chance de ser abatidas.

A largura da garupa teve uma faixa ótima de 11-15, com as vacas de pontuação alta (variação de 36 a 40) apresentando um risco 18% maior de descarte involuntário.

Características de Pernas e Pés foram, geralmente, mais importantes do que características relacionados ao tamanho corporal dos animais.

Escores intermediários de 21-25 e também um pouco inferiores (11 a 15), foram ideais para o conjunto de pernas traseiras. Vacas que desviaram, exibindo pernas traseiras extremamente retas (escores 6-10), tiveram um risco 4% maior de abate do que vacas intermediárias. Todavia, as vacas com as pernas traseiras extremamente curvas (escores 41-45) estavam 30% mais propensas a ser abatidas.

Ângulo de casco também foi muito importante com respeito à sobrevivência das vacas. Altas pontuações (41 a 45) foram as melhores e as vacas com um ângulo muito baixo (escores 6-10) foram 22% mais propensas a ser abatidas.

Como esperado, as características de úbere foram de longe as mais importantes. Vacas com pontuações de úbere anterior de 36-40 sobreviveram por mais tempo. Vacas com escores na faixa de 6-10 tiveram 53% mais probabilidade de serem abatidas e aquelas marcando 11-15 tiveram um risco 37% maior.

Para altura de úbere posterior e largura de úbere, notas de 36-40 e 21-25 foram ótimas, respectivamente. Vacas de baixa pontuação (variação de 6 a 10) tiveram 30% e 15% mais risco de abate, respectivamente, porém as vacas de alta pontuação (escala 41 a 45) tiveram também maior risco (18% e 16%, respectivamente) do que uma vaca ideal.

Profundidade do úbere foi, facilmente, a característica mais importante. Notas de 41-45 foram mais desejáveis e vacas com notas extremamente baixas (6-10) tiveram um espantoso aumento de 125% no risco de abate do que uma vaca de alta pontuação. Vacas nas faixas de 11-15 e 16-20, respectivamente, também estavam 78% e 50% em maior risco.

Ligamento de úbere foi o segundo em importância, com a vacas que marcaram de 6-10 tendo um risco 76% maior de abate do que vacas na faixa ideal de 21-25.

Por último, as pontuações para colocação de tetos de 31-35 foram os preferidos e vacas com tetos abertos (escores 6-10) tiveram uma chance 31% maior de serem abatidas. 

Infelizmente, não há dados históricos suficientes sobre de comprimento de tetos, para que se pudesse incluí-los no estudo, mas – com base em pesquisas de outras raças – é provável que teria sido um bom preditor de sobrevivência das vacas também.

Em resumo

Os principais pontos do estudo:

  • A sobrevivência das vacas está aumentando em importância, devido a uma escassez de novilhas de reposição de alta qualidade;
  • As características lineares de tipo podem ser preditores úteis da sobrevivência das vacas Jersey;
  • As características de úbere, especialmente profundidade de úbere, tem um grande efeito sobre a sobrevivência;
  • As características de pés e pernas também são importantes, embora não tão críticas como as características de úbere;
  • Entre as vacas com produção equivalente, uma forma leiteira intermediária é a preferida;
  • As características de tamanho corporal e garupa são menos úteis, no que diz respeito à previsão de sobrevivência das vacas;
  • Outras características, incluindo fertilidade e contagem de células somáticas, também desempenham um papel fundamental na sobrevivência das vacas.

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